Como o Brasil poderia voltar ao Mapa da Fome desperdiçando 1/3 do que produz?
- Aug 16, 2018
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Fonte da imagem desconhecida. Qualquer informação entre em contato, por favor.
Essa semana tive acesso a matéria da Carta Capital que sugere a volta do Brasil ao Mapa da Fome. O tópico me chamou muito a atenção porque realmente não esperava esse dado depois de estudar tanto sobre os resultados positivos do programa Fome Zero, iniciado efetivamente em 2003. Tive a oportunidade de realizar um módulo chamado “Socioeconomia do Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar” (soa bem melhor em inglês, fato) durante o mestrado na Alemanha e era impressionante o número de vezes que o Brasil era citado como exemplo em relação aos programas de desenvolvimento social para segurança alimentar. Enfim, esse começo é mais para abrir o coração mesmo.
Fato é, desperdiçamos 1/3 do que produzimos e voltamos ao Mapa da Fome. Qual o nexo? Sempre me pergunto, “Por que esse tema não é central em discussões sobre segurança alimentar? ” Em tempos de conferências, seminários, congressos e afins intitulados “Como alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050? ”, por que a temática do desperdício é sempre tão avulsa e sem brilho??
Lembro-me de discutirmos durante essa matéria sobre a fome ser um problema de produção ou distribuição. Essa é uma boa né?! Naquele momento chegamos à conclusão que de uma perspectiva dinâmica, trata-se de ambos. Porque realmente existe um desequilíbrio entre as tendências de oferta e demanda global, mas a DISPONIBILIDADE de alimentos não é critério suficiente para a segurança alimentar. Isso porque nem todo mundo tem ACESSO à alimentação, fator que é diretamente ligado a renda familiar. Quando pensamos nesse quesito, fica claro que em países de baixa renda ou extrema desigualdade social, como é o caso do Brasil, a segurança alimentar deveria ser prioridade nos planos governamentais.
E como relaciono essa discussão ao desperdício? O mercado entende que nossa demanda por alimentos é X, logo a oferta se prepara para produzi-lo. Durante toda cadeia de alimentos (produção, manuseio, transporte, comercialização e consumo) temos perdas e estas podem chegar a 45% em alguns setores, as hortaliças são um bom exemplo. Como a quantidade alimentos presente no mercado (não é o supermercado tá? É o mercado em geral) diminui, o preço dos alimentos aumenta. Lembra da oferta e demanda? Se a oferta diminui e a demanda se mantém estável, o preço fica mais alto. É uma escassez gerada por má gestão porque afinal a produção está aí, a todo vapor.
Entende como a nossa atitude de consumidor final influencia no aumento dos preços e na diminuição do acesso ao alimento dos mais pobres? Claro, não é tudo culpa do consumidor! Existe uma cadeia extremamente mal estruturada por trás desse resultado, mas nós temos que assumir nossa parcela de culpa e tomar decisões sabendo de seus impactos. Quando você compra a mais do que precisa, deixa de escolher alimentos fora do padrão e desperdiça cascas e talos está colaborando para o aumento dos preços.
Sugestão? Lembre-se que o alimento não é um produto, ele é fonte de vida e todos precisamos dele. Uma listinha de compras, o desapego da aparência e criatividade para cozinhar fazem muito bem, obrigada! Cada um do seu jeitinho é capaz de fazer a diferença. Eu acredito em você! E você?
Matéria Carta Capital:







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